bombeiros1O resgate de vinte e seis vítimas de um desabamento de um prédio em reforma na região de São Mateus, na zona leste de São Paulo, na manhã de terça-feira (28), contou com uma ajuda especial: a dos cães farejadores do Corpo de Bombeiros.viatura

Foram sete cães que auxiliaram no socorro farejando onde possíveis vítimas ainda estariam soterradas e indicando os locais nos quais a equipe de resgate deveria concentrar as buscas.

Ao todo, os bombeiros contam com 13 cães treinados para operações como a de terça-feira. Eles ficam no quartel no bairro do Ipiranga, na Capital.

Todos chegaram ainda filhotes e passaram por muitos testes para finalmente poderem começar o treinamento, que dura em média um ano e meio.

Cada bombeiro é responsável por apenas um cão, tanto para os cuidados do próprio animal quanto no treinamento individual.

“O cachorro precisa ser dócil, destemido e curioso, para depois começar a treinar com obstáculos, escombros e situações adversas de temperatura, que vão acostumar o cão a trabalhar em diferentes condições”, conta o sargento Marcelo Dias, que está na corporação há 15 anos, dois anos antes da regulamentação de cães de busca.

Os adestramentos são feitos em situações distintas e com diferentes figurantes no papel de vítimas, para que o cachorro não se acostume a encontrar determinados tipos de pessoas em locais já conhecidos e esteja pronto para atuar em qualquer ocorrência.

 

O treinamento

bombeiros3O treino dos cães farejadores dos bombeiros é diferente do recebido pelos da PM. Os cachorros do salvamento são treinados com base no método “k-sar” -- sigla que tem nas letras os significados “caninos”, “salvamento” e “resgate”. Neste método, a principal pista para que os cães encontrem as vítimas são odores liberados pelo corpo humano na forma de gases, que podem vir da terra ou da água.

Em um segundo momento, caso a vítima esteja viva e o cachorro já esteja próximo, ele podbombeiros4e usar outros sentidos como a audição e a visão.

“Os nossos cães encontram as vítimas inicialmente pelo cheiro genérico do ser humano e não pelo odor particular de cada pessoa, pois isto não seria possível. Seria necessário encontrar alguma peça de uso recente da vítima, que ninguém tivesse tocado e que fosse encontrada facilmente no local, que na maioria das vezes está totalmente destruído e com certeza isso levaria tempo, algo para nós precioso para resgatarmos uma vida. Por isso, eles são treinados com o cheiro natural do humano, fazendo com que o resgate seja feito o mais rápido possível”, explica Dias.

O bombeiro diz ainda que o tal “cheiro de humano” utilizado nos treinamentos é produzido por um laboratório do exterior, que o vende na forma líquida e em frasco. Os cachorros cheiram o líquido em um pano para se bombeiros2acostumar com o odor.

De "mãe para filho"

O método “k-sar” leva em conta o que a mãe do filhote deveria ensiná-lo na matilha a caçar e aguçar seus instintos para, no final, ser recompensado.

Mesmo sendo um trabalho extremamente sério, para os filhotes cachorrinhos é uma grande brincadeira. Eles ficam atentos ao trabalho para, no final, serem recompensados por um carinho de gratidão ou um objeto para se divertirem.

 

Aposentadoria

A vida profissional destes cãezinhos costuma durar apenas 8 anos. Depois de aposentado, o cachorro pode ficar com o seu “bombeiro tutor” ou ser doado para algum componente do batalhão.

Beatrice Caparbo

Originalmente postado no site http://www.ssp.sp.gov.br

 

Topo