Cães que se aposentam no Canil de Ribeirão Preto são adotados por policiais que foram responsáveis por treinamento
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Aposentadoria é um momento feliz para muita gente, e para os cães da polícia não é diferente. Para dois pastores alemães de mais de cinco anos cada, esse momento está próximo. O melhor é que um deles se aposenta junto com o policial que o treinou e vai para a casa com o 'dono'. O outro cão também será adotado pelo policial.

O subtenente Wlademir de Freitas Henrique explica que a relação entre o cão e o soldado é de amizade, tanto que cada cachorro só é treinado e manuseado por um único soldado. 'Sempre que um cão se aposenta, o soldado que o treinou pode levá-lo para casa, o que acontece na maioria dos casos', diz.

 

O subtenente explica que é raro um cão ficar no canil depois de aposentado. 'Se o treinador não puder levar porque não tem espaço, um outro policial que teve contato com o animal pode levar', explica.

O soldado Cicillini, responsável pelo treinamento do pastor alemão Xerxis, mora em apartamento, mas a amizade com o cão é tanta, que ele arrumou um espaço para o companheiro de trabalho na casa da irmã. 'Vai embora comigo com certeza', afirma.

Já o soldado Anderson Alves da Silva, o mais antigo do Canil de Ribeirão, se aposenta no fim de 2013 e leverá o pastor alemão Rex, de cinco anos e meio. 'De tanto me acompanhar, ele até percebe o dia que estou mais agitado.'

Em pouco mais de vinte anos no canil da PM, Silva já foi responsável por cinco cachorros, a maioria pastores alemães, sua raça preferida, e um São Bernardo. 'Quando o Lion se aposentou, também levei ele para casa. Era a minha paixão', conta ele com saudades do pastor alemão que teve anterior a Rex, que já morreu.

Canil é o segundo mais velho do Estado

O Canil de Ribeirão Preto é o segundo mais antigo do estado de São Paulo, foi fundado em 1964, logo após o canil de São Paulo e conta hoje com 20 animais treinados e outros três em treinamento. Uma lousa na entrada do canil controla a saúde dos animais. Qualquer alteração é anotada no quadro e o veterinário da manhã submete os animais a exames.

Outro ponto importante é que o treinamento do animal é feito a base de acerto e carinho, sem violência. 'Se você der um tranco de repreensão no cão que machucar, você perde o animal. Ele vai ficar com medo porque vai sentir dor e não vai responder bem ao resto do treinamento', explica o soldado Amantis, que cuida de um rottweiler chamado Arack.

Além de apoio para os policiais, os cães fazem um importante trabalho de interação com a comunidade, em apresentações em eventos públicos, encantando crianças.


Dois tipos de cães

No Canil da PM em Ribeirão, os policiais trabalham com dois tipos de cães. O primeiro são os policiais, que são as raças grandes. O pastor alemão, para guarda e companhia, dobermann e rottweiler para guarda. 'Esses cães de porte maior para o serviço de policiamento são necessários porque intimidam e ajudam a controlar uma situação', explica o subtenente Henrique.

Já para os cães de faro, são usados labradores, goldens, pastores holandês e pastores malinoi. Porém, o Canil de Ribeirão já contou com cães de raça pequena para o trabalho de faro, como beagles e cocker.

Hoje, a sensação é um bloodhound especialista em localização de pessoas e um pastor branco treinado para farejar explosivos e armas, que chegaram este ano ao canil. 'O cão para ser treinado tem que chegar até nós ou desde filhote, quando começamos a testá-los com brincadeiras, ou até 18 meses, quando são doados por alguém que não pode ficar com o animal. Mas todos precisam ter pedigree', explica Henrique.

O registro da raça é necessário para mantimento do padrão de comportamento e estrutura do animal. De uma ninhada, um ou dois filhotes terão características para um cão policial.

Fonte: Via EPTV.com - Publicado neste site em 04/12/2012
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